#Vênus sobre a casa 5; Sonhos.
Cabeça quente, copo cheio, coração...
De crise à estado constante de espírito, que agora invadiu meus sonhos. Hoje vai ser descrição desses sonhos. Três, três tormentas, seguidas, que me acordaram de instantes em instantes durante essa noite:
#1 Estava aqui em casa com o dito cujo, amado. Peguei um notebook, e uma série de 5 chaves para entrar em uma rede social. Entrei na rede social, como se fosse o dito cujo e recuperei um perfil paralelo dele. E lá encontrei alguns segredinhos, vocês bem sabem. Conversas íntimas e algumas fotos que me chocaram. A dinâmica do outros, o prazer dos outros, perfurando o meu ego e a carne dele. O perigo das redes sociais. Louco, possesso, ciumento nervoso, neurótico e criminoso, comecei todo aquele processo de desgaste. E que no sonho terminou em chuva e uma despedida cruel no ponto de ônibus. "Você esqueceu a sua chave!", e ele, molhado, sob um capuz verde, acabado: "Só posso pedir desculpas". Dei as costas,e fui embora.
#2 Estava a caminhar pelas ruas de alguma cidade avulsa. Apartamentos e prédios muito, muito altos. O clima era de fim de tarde mas o frio parecia ser o de uma São Paulo, ou alguma cidade mais ao sul do hemisfério. Vi a noiva#1, a andar do outro lado da rua. Ela era loira, uma postura altiva no caminhar. Estava visivelmente decidida; Tinha um rumo claro a seguir. Andávamos paralelamente um ao outro, e a rua parecia não ter fim. Nos olhávamos, mas não dávamos cabo de nossa presença mútua, no mesmo caminho, paralelos um a outro e separados pelo asfalto. Não haviam carros nessa rua. Estava vazia. Só as luzes dos apartamentos, nós dois e a nossa caminhada. De repente cruzamos uma avenida e nossa rua bifurcava sobre um contorno de um enorme condomínio. Nos perdíamos de vista, e por mais anônimos que fôssemos, isso doeu. Foi quando vi a noiva#2 sentada em um banco, numa das galerias que separavam os blocos do condomínio. Ela era morena, feições parecidas com as da noiva#1, mas com uma diferença crucial. Não era decidida. E a sua confusão era denunciada por uma coletânea de contos, cujo título, consegui pescar enquanto caminhava a sua frente: "Contos de Clarice". Pensei: "Clarice Lispector e um mar de confusões". Porca e vaga, mas foi uma leitura. E era sonho, não vou me justificar. Continuei a caminhada e finalmente, como em um losango, os caminhos se encontraram novamente. um ponto em comum. A noiva#1 descia uma escada lentamente. Parecia me esperar. Puxou um cigarro, e disse: "Chegamos".
#3 Estava num quarto, com dois homens barbudos. Um se vestia como um foragido, outro como um padre. Ambos debatiam sobre o "mal" do universo e como combatê-lo. Eu assessorava o debate: "Mas o que é o mal?" E o padre então me respondia: "É a força que se opõe a justiça"; O foragido então sacou o mais importante de tudo: "Temos que entendê-lo", disse. Como entender o mal? O que ele é, de fato, e a quê se opõe, e se se opõe de fato? Parecia que íamos debater a noite toda, quando o foragido mais uma vez nos deu uma ideia contemplativa, genial: "Precisamos conhecer Shiva!" Shiva, pra mim, sempre foi (em sonho e fora deles), uma figura que representava o equilíbrio entre as forças opostas: Em uma de suas mãos o tambor da criação, e na outra, o fogo da destruição. O criador e o destruidor, aquele que das cinzas regenera e recria o novo na ordem do universo. Que figura melhor para compreender o que é o mal e o que é o bem, e suas essências tão dualísticas quanto a noção de equilíbrio, que parecíamos buscar? E como num piscar de olhos, estávamos no pátio de um prédio, um arranha céu no meio do que pra mim era a India. Lá dentro, o padre e o foragido entraram em um bar, onde pareciam estar a procurar Shiva. No mesmo pátio vi as noivas. Estavam as duas, tanto a confusa, quanto a decidida, vestidas de branco com os buquês em mãos. E nada dos noivos. Nesse sonho já parecia muito amigo da noiva#1, inclusive. Ela estava apressada, talvez nervosa. Me puxou para o elevador, disse que precisava chegar o mais rápido possível no topo do prédio, e queria que eu fosse com ela. De repente, o elevador nos cuspia literalmente pra fora do prédio, como que por uma janela de vidro. A noiva#1 caía de uns 30 andares rumo ao chão, eu ficava preso pela perna entre o vidro e o elevador, e Shiva... Shiva estava ali, entre a pulsão de morte e a de vida.
Não vou interpretar nada, apesar de muito vir na cabeça nas três ocasiões. Ando meio perturbado, como na desordem anteriormente publicada, que mesmo sendo de meses atrás, permeia o hoje. Coisas que eu não entendo. Mas Shiva, a noiva#1 e #2, e o 'dito cujo, amado', de certo tem muito a ver com tudo isso.



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