#Desabafo, acompanhado.
Ontem fiquei olhando algumas fotos minhas. São Paulo, Pinheirinho, Crakolândia, Salvador, ENUDS, Minas, chapa de CA, greve dos professores de 2011. Esse constante movimento, em movimento, com os sujeitos que nos cercam e nos fazem sair da inércia. A dinâmica da rua e sua vida própria, em busca de vida, de condições de vida numa conjuntura de morte.
Sinto falta da cara à tapa, do gás, do encantamento com a resistência. Realidade que tá bem aqui, quando se dobra a esquina. Aos mesmo tempo, tem o mal-estar. Com o tudo. A perca da esperança que o Adorno tanto fala, fatal à todos nessa pós-modernidade cada vez mais capciosamente confusa. O Pinheirinho caiu em 2012. O saldo final de 8 anos de luta e auto-organização foi um tiro no olho do poder popular pelo Estado, a serviço do Capital. Uma dúzia de mortos, outras de desaparecidos, muitas mulheres estrupadas pela sempre sádica força de repressão do Estado, a PM. Quando vi a notícia daqui, meu peito disparou de ódio. Alguns amigos estavam lá, na resistência, na linha de frente. "Pra onde eles foram? O que aconteceu com eles?" Enquanto casas, famílias, animais, um centro de reciclagem que dava conta do sustento de quase toda a ocupação, eram derrubadas. E à frente daquele mundão que mais era uma realidade paralela contra a droga do mundo em que a gente vive, ficavam os terrenos privados, com as 4 mansões de luxo que ocupavam quase o mesmo espaço da ocupação, e seus donos, a assistir de longe e de camarote. A burguesia dos spaghettis e sua sede por sangue de classe. Um mês depois a Crakolândia é dizimada. O inverno em SP continuava o mesmo, e os "nóias" continuaram morrendo, literalmente, de frio em plena campanha do agasalho.
As greves dos professores, e o seu fim em uma mesa de negociações. O racha das bases, as lições que se tiraram e as coisas que não se encaminharam. Muita, porrada, muito sangue. O mesmo das controvérsias polícias, que em 2012, se pintaram de aliados. Muitos foram exonerados, expulsos e punidos, por se tocarem que "parados, com seus escudos e gases de pimenta eles também eram explorados." Mais sangue, mais correria. De repente, meses depois tudo volta ao seu manual, "normal". Tudo muito confuso. Quando a gente acha que vai dar passos adiante, vem um vendaval e nos puxa de novo pro mesmo ponto. Veio junho de 2013, as jornadas de luta por todo país, a contradição de um sistema inteiro se desvelando. Mas uns passos a frente, e outros de novo para trás. O mundo anda muito confuso.
Sei que as coisas não são assim, que o tempo histórico é uma construção diária. Sei que a consciência de classe, que a consciência de sujeito atuante e transformador da própria realidade, minha e do outro não vem assim, de um supetão. Sei que o coletivo é uma maré, que acompanha a lua. Sei de tudo, aprendi tudo nesses 3 intensos anos. E ainda assim, sinto que ainda não aprendi nada. Não deixo de estar perdido. E o mal-estar me traga. É o desabafo que nos mete a respirar. Porque respirar anda cada vez mais necessário.
O cotidiano, as lutas, o amor, a própria liberdade... tudo anda sob uma cortina de gás lacrimogêneo. E muita peia.
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| Das imagens do Pinheirinho que vão ficar pra sempre na memória. Ele vivo, pulsando vida. E nós aqui; Foto da Dafne Drumond Boni. 2011. |



Ah sempre de se respirar e continuar tentando fazer com que as esperanças ressurjam!!! Um dia será tudo diferente do que hoje é...
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