Arrecife

Houve um tempo em que meu corpo foi como um arrecife. A mercê da maré intransigente. De uma corrente sublime, tentadora. Cada poro do meu corpo podia sentir tais intemperes. A temperatura baixava e subia, assim como era o amor. Cheio de pretextos e motivos para sumir no horizonte feito o sol das cinco.

Via em suas palavras explosões de plâncton. Sedimentavam sobre mim todos os sais do universo. Uma crosta disforme se formava. Se formava? Bastava ouvir o múrmurio do tempo, o sussurro da brisa, que me quebrava todo feito as ondas que corriam em minha pele.

Um arrecife no mar, que de seu estado inanimado pairava a contemplar os saltos que dava-mos da Ponte Velha.

No fim das contas, tomar a consciência: Eu quebrei você.


Filipe da Silva Oliveira, 29/03/17.

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