Jorge

Ondina, chuva, e os corpos imaculados.


Suspiro. Começo a escrever, o que até agora nem chega a ser ideia, com um suspiro e me pergunto o que o suspiro reflete nesse exato momento. Satisfação, contenção, acalento, nenhuma dessas palavras? Talvez o cúmulo do cansaço, me parece mais verdadeiro, e verdade é o que ás vezes surge como similar a realidade. Cansaço. Você perguntou como eu estava, eu ensaiava uma resposta “verdadeira”. Ao perceber você tentava retornar a linha temporal da conversa. Os judeus, os judeus sofrem. Os negros também, ora, nos tempos da escravidão institucionalizada. Luta de Classes, escravos versos escravos alienados. Temos de ser parciais, ora nem tudo é Preto no Branco. Colapso. Ah, me lembrei! Eu estava drogado.

Há um efeito muito digno na droga. Ela lhe trás seu lado mais verdadeiro. Similar ao confessionário, se drogar é como falar com padres sobre seus erros. Na minha lógica, claro, o pecado é o dom mais divino. Talvez você perceba isso mais a frente, mas voltemos à linha temporal.

Percebi que fugíamos demais da lógica, então segui. Falamos do mundo, voltamos a mim, falamos do mundo, e voltamos a mim. Foi quando cheguei à conclusão, clara naquele momento, de que quando eu me tornava chato era melhor mudar de assunto.  Não que eu tivesse pensado que ser chato para você era o menor dos pecados. Não, era interessante ver minha similaridade com o mundo concreto. O mundo do qual eu fazia parte, e não só observava. Teoria versos Prática. A pegada da noite. Talvez projeção identitária, mais minha, claro. Aqui me ponho como observador.  Fugir de mim era fugir do mundo, resta saber para quem naquele momento. Aquele momento. Paramos com os paralelos, você me abraçou. Eu abracei a confusão. Não você, mas a que viria depois. Você abriu minha cabeça, e não projeto em você a verdade que tanto buscava ali. Isso te torna mais especial, isso torna aquele momento mais especial. O que vem depois dali, são questionamentos e mais questionamentos. Um baralho pagão, sobre a lógica cristã que a verdade assume. Hora comparo estar drogado a confissão católica, hora comparo a lucidez com a razão mundana. Logo, me lembro de um trecho da conversa onde falo: “Estou mais lúcido agora”. É excitante de fato! E nem é a Luta de Classes. Confuso. É o Colapso.

Você diz: “Cada não seu é um sim de robô! Seus olhos ciganos não me enganaram. Faiscando no escuro, gato vagabundo sem pedigree, vou esfolar tua bunda sua putinha suja”

Eu sou o peso do passado. Do meu passado sobre o meu presente, que tenta a todo custo se libertar sei lá do quê. Isso torna o passado um grande pedaço de bosta sobre o teto do meu novo quarto da minha nova fase liberta, libertina, libidinosa. Talvez seja por isso que eu admiro o seu apreço escatológico, se é que é seu mesmo. Projeção identitária. Colapso!

Filipe da Silva Oliveira, 18/02/2012.

Comentários

Postagens mais visitadas