Experimento; Vênus, casa 8.

Estão seus pés e só. 
Tenho pés, tenho dedos, tenho plantas, 
tenho planos...

(...)
Nas ruas passeiam os pés
Os pés que pisoteiam o asfalto não são meus,
não são meus, nem são seus
Os seus andam com os meus
Curvas retas e até ladeiras

O nosso andar vai junto
Porque os meus pés são os seus
E os seus estão nos meus
Pés.

"Dos Pés" - Bárbara Eugênia


Era noite de passagem. Os fogos, as luzes da cidade. Tudo guiando, como em todos os outros anos, o que haveria de ser novo. E nós dois, diferentes de tudo, a dançar nossa valsa em um apartamento emprestado. Meus pés sobre os teus me guiando pela primeira vez, a vez de quem dança livre. E o calor do teu corpo nu, colado no meu. O som do vento nas telhas e tudo o que fazia do resto do mundo um lugar longe e desnecessário.

Acordei. Era um sonho.


E o cri, cri da cabeça da gente dá voltas e rende demais. E quando a gente perde todo o sentido diz que é poesia concreta. Tipo Leminski debaixo da chuva. Solta um dó e um lá, a saudade do que não veio. Formou. No meu caso, do que não sei se há de vir. "Se a dúvida é produto da sua escravidão, mantenha então sua sanidade em defesa do seu estômago."


É aí que a gente se desnuda pro mundo como os seres frágeis que somos. A gente nunca sabe, e se sabe prefere ficar na ignorância. Assim, sem muito sentido como todo esse experimento. Eu, Vênus na casa 8 de um menino-homem, com estigma de menino que nunca é levado a sério por ser riso demais.

Não sou uma esponja
Nem sou uma peneira

Nem tudo agrega, 
e nem tudo passa, passarinho.



Porque o tempo vai passando
Suas qualidades vão sumindo
E os seus defeitos aparecendo cada vez mais




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