#Desabafo; efeito estufa.
Das minhas séries de reclamações diárias (tenho me tornado um jovem velho, um velho chato) grande parte do comentado deriva de uma angústia só: Minha percepção tardia das coisas.
Um misto de inocência, burrice e o pouco de malevolência que me resta - e que meu superego teima em reprimir - juntas formam a fórmula dessa minha tontura quase constante com as coisas. O problema não é ser besta, em outras palavras, mas é perceber muito mais tarde quando a minha besteira me faz de "vítima", por assim dizer. Sempre o último a saber das coisas, a sacar das vias lógicas. E esse constante estado de desinformação, que só atinge meus fóruns mais íntimos, é sucks;
Ando meio putinho, paranóico e até de fumante ando atacando. Certo dia vi na caixa do cigarro a imagem de um pé todo feio e fedorento. Pensei: "Quero fumar, mas se a caixinha já antecipa o resultado dessa minha tragada por que não antecipar o dos meus surtos de 'menino-réi-besta' também?". E ledo engando se você pensa que, na verdade eu estava a esperar um resultado de clarividência instantânea, como se a tutora-amiga-mãe-de-leite da Jade na novela O Clone, de repente aparecesse do meu lado e lesse a embalagem do cigarro, como se fosse o fundo de uma xícara de café. Não cairia mal, mas até meus guias espirituais andam meio lentos. Daqui que a ajuda fosse chegar...
Queria mesmo era uma cura pra essa angústia maluca, que me põe entre a cruz e a espada. Entre um caminho em pleno curso e a constante dúvida do "é isso mesmo?". Porque por trás dessa questão há sempre um "e se não for?"; "e se eu estiver sendo mais uma vez o besta?"; e a mais capciosa de todas: "pode até ser tudo diferente agora, mas quantas vezes não foi, e eu não me dei conta?". E se rolar a identificação ela vem da universalidade da dúvida e da nossa parcela de culpa numa sociedade cada vez mais individualizada e pautada na incerteza da própria sombra. Alguns males difíceis de superar na famigerada e real pós-modernidade epistemológica. Afinal, tudo é produto de alguma coisa, que nós mesmos plantamos. Seja medo, má gestão das loucuras ou má fé, nada é de graça e tudo tem um preço. Uns mais caros que os outros. E não se pode esquecer: não vivemos em ilhas.
Até fumei aquele cigarro, depois de divagar sobre as minhas besteiras e o pé fedorento. Fumei e ainda contribui pro não fumante que tava do meu lado morrer de câncer mais cedo do que eu.
E meu ego anda tão carente de um abraço, quanto as fotos que ilustram esse post denunciam!



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