Marte na casa 3;



Coexistem no mesmo Universo desde sempre duas forças antagônicas que movem os sujeitos: Amor e Barbárie. 

A gente anda, anda e há sempre o choque de realidade que nos faz constatar que há algo de errado nesse mundo. Pessoas morrendo aos montes na Síria, no Iraque, e no Pelourinho. Gente a ser despejada de suas casas em nome de uma empresa que vale mais que a nossa dignidade enquanto "nação-conceito". O mundo nunca esteve tão moinho, e ainda assim é um moinho que tritura desde sempre. E continua a ser um moinho que a muitos incomoda, mas que também é movido por outros mais. 

E parece que a barbárie é um efeito dominó da ignorância continuada. O maior retrato dela é a violência: Tratamos a violência enquanto símbolo ruim, mas não deixamos de reproduzi-la exaustivamente em uma hora sequer do dia, seja na televisão ou no periódico impresso. São os dados da violência, desde os mais mastigados e codificados em estatísticas até as cenas mais cruas de decapitações no presídio do Maranhão, a violência faz parte das nossas vidas. E não me parece que a relação é como a de um sujeito consciente que deseja expurgar um mal de si. Parece mais de um viciado em crack, aquele menino zumbi que um dia vi na Júlio Prestes, em São Paulo. A gente não pára de reproduzir, de mastigar, de falar e de agir enquanto violência e a principal causa disso é, sem dúvida alguma, a dimensão de mercado que surge entorno dela. Nunca se vendeu tanto com a violência. Nunca se comprou tanto gás e arma não-letal e tanta arma extremamente letal como hoje no Brasil - e no mundo. Compramos aviões de guerra e ainda compramos alguns commodities nas suas criações. Nunca fomos tão senhores da guerra, da guerra contra nós mesmos. Também nunca se vendeu tanto Acnase, como se vende agora, nos intervalos do Barra Pesada ou nunca a Igreja Universal cresceu tanto, entre uma exposição e outra de uma vítima de abuso sexual no programa Cidade 190, como cresce hoje. A violência gera dor e a dor gera lucro. É sen-sa-cio-nal e sensacionalista a tática de marketing do mercado da barbárie. E a dor tem mercado sim, num mar de identificação.

Somos o completo oposto do que deveríamos ser, penso eu. 
Marte intenso.







Comentários

Postagens mais visitadas