Tempestade
Quero dizer...
A vida passa feito um furacão.
Levando e destruindo tudo o que está no caminho. Mudando as coisas de lugar.
Nunca me senti bem na instabilidade dos ventos, e quem é que se sente?! Acho
que não somos adaptados. Nem eu e nem você. Por isso essa nossa angústia
dilacerante. Darwin estava errado. Não fomos/somos/ficamos/estamos adaptados. É
como se esse lugar não nos pertencesse. Eu na sua frente, você na minha. Cada
um, feito os pombos que somos empurrando pro outro a direção, a condução dos
nossos caminhos enquanto tentamos sem sucesso voar em forma de “V”. Pelo
simples fato de não sermos adaptados. Não tomamos posse de nossas próprias
vontades, nos tornamos avatares dos nossos próprios sentimentos, como
personagens solitários desfilando solitários em meio aos prédios, ao barulho
dos carros, e as sombras parcas das árvores que ainda restaram, procurando um
ao outro na vontade vã de se encontrar, porque não nos adaptamos. Não nos
adaptamos a nada. Ou estamos completamente adestrados também. A essa dinâmica tristonha
ou a todo resto. Frios, não sei.
Queria poder entender... o que é
estar com o outro. A qual lugar pertencemos...
Se é nos versos que contam a
nossa história...
Ou no espaço em branco que cada
palavra deixa uma à outra.
Arcade Fire - Supersymmetry, música do filme "Her", do Spyke Jonze.

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